sexta-feira, 8 de abril de 2016

Videos interessantes

Olha galera, encontrei esses videos no youtube e achei muito interessante. Fala sobre educação e tecnologia, estou passando os links para quem tiver o interesse em assistir.

https://www.youtube.com/watch?v=kH35xtO4CX4&nohtml5=False

https://www.youtube.com/watch?v=rhFc0126tzI

https://www.youtube.com/watch?v=FsLtTx6cjdw&nohtml5=False


O que é Cibercultura?


Ola pessoal, em uma postagem anterior falei sobre cibercultura. no fichamento de André Lemos   http://rosely-gp.blogspot.com.br/2016/02/fichamento-lemos-andre-cunha-paulo-orgs.html como o tema é muito interessante pesquisei um pouco mais e encontrei e encontrei esse vídeo no blog da Daiane. http://dayandrade12.blogspot.com.br/
Fala sobre o que é Cibercultura, vale a pena conferir, podemos visualizá-lo também no youtube!

 


http://dayandrade12.blogspot.com.br/2015/12/o-que-e-cibercultura.html?
showComment=1460106799552#c594568936614797892

https://www.youtube.com/watch?v=hCFXsKeIs0w

Fichamento do texto: As Tendências Pedagógico-Comunicacionais Online do mundo Contemporâneo


       
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS
CAMPUS DE JEQUIÉ-BAHIA
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO                                                                                             DOCENTE: MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA


                                                                                                             Rosely 



Fichamento do texto:
As Tendências Pedagógico-Comunicacionais Online do mundo Contemporâneo
Maria da Conceição Alves Ferreira

“A docência, por meio do uso da tecnologia digital e, particularmente, da internet, está contribuindo sobremaneira no crescimento dos processos educativo/formativos e comunicacionais, [...]. Dessa forma, acrescenta desafios e novas perspectivas para os meios formativo/educativos através da educação e da docência online, tornando os atos pedagógicos paradoxalmente mais complexos.”
“Muitos estudos e avaliações indicam que a educação por meio da internet ou e-learning é algo que tende a crescer no mundo todo.”
“No universo da educação superior no Brasil, na época da publicação da LDB, 1998, apenas a Universidade Federal do Mato Grosso oferecia um curso de graduação à distância, em caráter experimental, direcionado para a formação de professores do ensino fundamental da rede pública, além de outras ofertas no formato de cursos de extensão. Entretanto, a partir de 2002, observou-se um crescente envolvimento das instituições de ensino superior com cursos de educação a distância [...]”

“As ofertas disponibilizadas por instituições de educação mais consagradas, como as universidades federais, vêm se dando de forma mais lenta, tendo em vista a preocupação com a qualidade, levando grande parte dos professores a reagir ao modo não presencial de ensino-aprendizagem.”
“Percebemos assim que, devido aos novos contornos da vida cotidiana dos brasileiros e das dificuldades de acesso ao ensino presencial, a modalidade de ensino por meios comunicativo/interativos está ganhando visibilidade no contexto nacional. Apesar das controvérsias, é evidente que a educação através das mídias conectadas é uma tendência cada vez mais presente no nosso cotidiano e se destaca enquanto processo irreversível.”
“O fato de ser online não significa que esse curso promova a educação online, pois, de acordo com seus princípios de participação/ intervenção, hibridação e permutabilidade, a interatividade é um aspecto fundante – embora percebamos que o autodidatismo se torna cada vez mais presente, principalmente em capacitações profissionais.”
 “Podemos citar algumas experiências no contexto brasileiro: o curso de Especialização da escola de gestores é de abrangência nacional, proposto pelo MEC em parceria com universidades federais com o objetivo de formar gestores para a gestão pública em escola de âmbitos municipal e estadual.”
“A proposta de inclusão de disciplina dedicada ao ensino e aprendizagem de forma virtual foi inaugurada pela possibilidade oferecida pela LDB 9.394/96 (BRASIL, 1996) e pela Portaria n. 4.059, de 10 de dezembro de 2004, desde que não ultrapasse 20% da carga hora horária total do curso.”
“Essa proposta foi um avanço porque se caracterizou como um processo legitimador de utilização de disciplinas a distância para alguns pesquisadores que estavam desenvolvendo experiências dessa forma, criando um novo espaço de ensino e aprendizagem virtual, complementar ao da sala de aula.”
“Para adentrar a questão central do estudo sobre a docência online, torna-se necessário discorrer sobre a docência enquanto construção social e histórica.”
“O ato de ensinar, assim como o de aprender, está presente na vida humana desde os tempos mais remotos, pois, para sobreviver nas adversidades do mundo dito primitivo, o homem/mulher precisava desenvolver habilidades como caçar, proteger-se do frio, do calor, comunicar-se, entre outras. E, para isso, algumas habilidades foram ensinadas/aprendidas de geração para geração.”
“No contexto da educação online, à docência toma rumos/tendências diversos (as). Dentre eles podemos salientar as dimensões proporcionadas pelos saberem pedagógicos e comunicacionais.”
“É sabido que a docência online reside nos limiares da educação online, da cibercultura e da comunicação. Assim, torna-se um objeto multe referencial e complexo, pois engloba diversas áreas do conhecimento.”
 “Uma proposta de formação pedagógica para a docência online ainda precisa amparar-se em pressupostos comunicacionais dialógicos, pois o que caracteriza a comunicação como diálogo é o ato comunicativo, de comunicar, comunicando-se.”
“Muitas são as instituições públicas e privadas que estão ofertando cursos de graduação, pós-graduação e na modalidade extensão no contexto brasileiro. Destacamos, dentre outras, a experiência do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) com os cursos em Especialização em Educação a Distância (EAD), Tutoria online e curso de extensão como possibilidades de Educação online no contexto baiano.”
“Contudo, não podemos deixar de ressaltar que, apesar da larga experiência desde 1993 com produção e difusão de cursos numa perspectiva a distância, a experiência do SENAC, como a de qualquer outra instituição que envolve interações com pessoas, apresenta entraves, dilemas, contradições, problemas, mas também apresenta possibilidades e realidades.”
“Entretanto, a educação online apresenta um redesenho da formação de professores, da docência, e indicam muitas possibilidades como a interatividade, a simultaneidade, acompanhamento sistemático das atividades propostas, flexibilidade e criatividade no ato educativo, buscando assim a tão sonhada educação de qualidade pretendida por todos nós.”









Referencias


FERREIRA, Maria da Conceição Alves. Docência online: rupturas e possibilidades para a prática educativa. Salvador: 184 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2007.

A CO-LABORAÇÃO NA/EM REDE



UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS – DCHL

DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMINICAÇÃO

DOCENTE: MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA

FICHAMENTO
“A CO-LABORAÇÃO NA/EM REDE”
Lynn Alves / Ricardo Japiassu / Tânia Maria Hetkowski

 “A aldeia global, concebida por Mc Luhan e Powers, décadas de 1960 e 1970, possui hoje uma outra configuração, muito mais interativa, possibilitando a emergência das chamadas comunidades de aprendizado. Para Rheingold, essas comunidades se constituem em agregações sociais que surgem na Internet formada por interlocutores invisíveis que podem ter interesses que vão do conhecimento científico ao conhecimento espontâneo, utilizando esses espaços para trocas intelectuais, sociais, afetivas e culturais, permitindo aflorar os seus sentimentos, estabelecendo teias de relacionamentos, mediadas pelo computador, conectados na/em Rede.”
“A emergência destas comunidades pode configurar o que Lèvy  denomina de uma inteligência coletiva, que se constrói no ambiente da/em Rede , mediante uma necessidade pontual dos seres humanos, que intercambiam seus saberes, trocando e construindo novos conhecimentos, estabelecendo, assim, laços virtuais, auxiliando os seus membros no aprendizado do que desejam conhecer. Esta inteligência, para ele, não prescinde da inteligência pessoal, do esforço individual e do tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliar e integrar-se a diversas comunidades, sejam elas virtuais ou não.”
“É importante revelar que o entendimento do processo de construção colaborativa do conhecimento cuja ênfase recai em suas origens sociais e históricas, isto é, num conhecer orientado inicialmente no sentido do coletivo para o sujeito, não emerge apenas com o amplo uso instrumental das mídias telemáticas na Educação nem tampouco constitui uma abordagem "nova" aos processos de aprendizado e desenvolvimento humanos.”
“Iniciada por Vygotsky  e posteriormente desenvolvida por Luria  e Leontiev - entre muitos outros cientistas russos - a psicologia histórico-cultural defende que o aprendizado e o desenvolvimento tipicamente humanos só podem ocorrer a partir da internalização (interiorização) das funções interpsíquicas (entre sujeitos). Estas funções interpsíquicas são co-laboradas (construídas conjuntamente) e mediadas por ferramentas concretas (machado e computador, por exemplo) e instrumentos psicológicos de natureza imaterial (como é o caso do uso de signos na comunicação e pensamento verbal).”
“Os saberes práticos, as (in)formações e os conhecimentos empíricos e científicos co-laborados e em co-laboração pelo sujeito só podem ser viabilizados unicamente através da MEDIAÇÃO CULTURAL[...] Unicamente assim, a partir da imersão do sujeito em variadas comunalidades de práticas coletivas, a pessoa pode conferir uma significação compartilhada a essas construções co-laboradas, apropriar-se do seu significado original e enfim conseguir ressignificá-las livremente (nível intramental) co-laborando novos, originais e imprevisíveis sentidos num processo initerrupto e que não tem fim.”
Desafios contemporâneos à pedagogia da co-laboração na/em Rede
“A prática pedagógica, quando mediada pelas TIC, altera a função educacional do professor e a sua compreensão do contexto educativo - o qual é necessariamente (in)formado por diversas outras práticas cotidianas (política, ética, econômica etc.). Essas práticas orientam e deflagram as ações dos professores e imprimem significados à vida profissional dos docentes.”
“Alguns obstáculos que se interpõem à prática pedagógica do professor podem ser: (1) o ensino é interpretado como uma atividade seletiva; (2) o contexto organizacional desse ensino faz com que os professores desenvolvam trabalhos individuais e não coletivos; (3) as lógicas de socialização profissional não acontecem em momentos apropriados ao desenvolvimento de atitudes reflexivas; (4) as TIC e os materiais didáticos são gerados a partir de uma lógica hierárquica vertical, constatando-se que as supostas iniciativas co-laborativas não contemplam a horizontalidade nos/dos processos formativos dos professores.”
“Portanto, as TIC entram na escola como dispositivos técnicos e as práticas pedagógicas continuam pautadas em velhos paradigmas, apenas com uma diferença: retira-se a centralidade do professor transferindo-a para as TIC. [...] O ciberespaço, deste ponto de vista, precisa então ser concebido como lugar de inovação, de co-laboração social, política e de mobilidade das práticas pedagógicas.”
“Essas peculiaridades abarcam desde a exploração de diferentes linguagens - escritos, gráficos, audiovisuais, icônicos, digitais -, até o enfrentamento de problemas complexos da vida escolar que o professor, através da sua ação, deve gerir.”
“O professor(a) - pode compartilhar e efetivar mudanças recorrendo à riqueza das práticas coletivas oportunizadas pelo ciberespaço.”
“Recorrer a esses eixos norteadores significa reconhecer que a mudança na educação "não depende diretamente do conhecimento, porque a prática educativa é uma prática histórica e social que não se constrói a partir de um conhecimento científico, como se tratasse de uma aplicação tecnológica."
“Significa, em outras palavras, dizer que as práticas pedagógicas não são lineares, mas dinâmicas e potencializadoras do conhecimento mediado pelas TIC.”
“A literatura especializada costuma justificar a "recusa" de educadores e educandos em fazerem uso deste tipo de ambiente para promoção da atividade co-laborativa atribuindo-a, basicamente, a três fatores: (1) os sujeitos têm que aprender a lidar com a diferença, o que sempre é algo complexo; (2) esses ambientes solicitam posturas intelectuais autônomas e processos co-laborativos de/em grupo (algo que a escolarização tradicional tem falhado em promover); e (3) as pessoas necessitam apropriar-se dos recursos informáticos e suportes tecnológicos - o que, para muitos, é algo novo e ainda distante das suas competências econômicas e culturais. “
“Apesar dos discursos co-laboracionistas renovadores e dos avanços pedagógicos já alcançados pelo desenvolvimento de novas práticas de ensino-aprendizado com o uso das TIC, a atividade co-laborativa permanece sendo um desafio à educação formal em e-coletivos.”
“Castoriadis (1982) enfatiza que o imaginário social instituinte pode criar uma forma de democracia na qual seja possível o exercício da autonomia individual e coletiva.”
“A atividade pedagógica mediada pelas redes digitais proporciona então a criação de novas práticas instituintes. Mas, embora a atividade pedagógica instituinte tenha raízes nas práticas educacionais já institucionalizadas, ao mesmo tempo, contraditoriamente, apresenta-se como desafio ao status quo. Um desafio que converte-se em movimento instituinte por solicitar dos agentes pedagógicos a transgressão do movimento "linear" de ensinar e aprender, ou seja, por gerar a necessidade de mudança nas práticas pedagógicas.”
“A educação on-line baseada no aprendizado co-laborativo - que toma o aluno como eixo das intervenções pedagógicas, responsabilizando-o por seu próprio aprendizado - revela existir uma grande dificuldade por parte dos aprendizes em sustentarem, ao longo do tempo de duração dos cursos, o seu desejo de saberem mais e melhor como "aprender a aprender"  Promover o auto-aprendizado e portanto o pensamento crítico do sujeito - no sentido de fazê-lo ir além do senso comum - tem ocasionado, com alguma freqüência, a emergência de uma nova categoria "estatística" nos processos formais de EaD: os "evadidos on-line."
“Cotidianamente vemos emergir novas CVAs na/em Rede (WEB). Contudo, observa-se que os agrupamentos de sujeitos mediados pelas TIC tendem a desaparecer com a mesma rapidez com que surgem. Sustentar o desejo para manter e preservar a co-laboração de/em uma CVA exige o exercício contínuo da autonomia.”
“Essa dificuldade em ousarmos ser autores dos nossos próprios enunciados, em nos "autorizarmos" pode, de fato, estar relacionada ao tipo de educação que tivemos oportunidade de vivenciar em nossas vidas.”
“Na configuração política, social, econômica e educacional excludente atual, típica da pós-modernidade, a co-laboração em/na Rede pode ser, contraditoriamente, uma alternativa às tradicionais práticas autoritárias que têm caracterizado as relações de poder nas organizações e empreendimentos educativos no capitalismo tardio.”
“A co-laboração na/em Rede, sem dúvida, pode contribuir para a emancipação do sujeito engajando-o em um genuíno processo de construção autônoma de novos conhecimentos e saberes. Ao deparar-se com a voz e os enunciados do OUTRO, em e-coletivos que estejam abertos à uma participação "horizontal" de todos, o aprendiz põe em movimento a sua capacidade de tolerar o pensamento divergente, de respeitar as crenças e convicções dos diferentes grupos humanos e de considerar legítimos os pontos de vista da alteridade - de modo não submisso no entanto.”
“A co-laboração portanto implica o desenvolvimento de processos interacionistas que visam encorajar os sujeitos a atuarem em conjunto para a construção de diferentes conhecimentos e saberes, enfatizando a co-autoria (DIAS).”
“A atividade co-laborativa genuína só pode ocorrer a partir da premissa da interatividade - interatividade aqui entendida de modo a ultrapassar a relação solitária do sujeito com as interfaces e seus agentes humanos e artificiais. É só através da interatividade que pode ocorrer a participação criativa dos usuários nos sistemas e - o mais importante - realizar-se a interação e as trocas entre os membros de uma comunidade.”
“Portanto, no sentido que interessa aqui, a interatividade deve ser compreendida como a possibilidade de o usuário participar ativamente, interferindo no processo de ensino-aprendizado com ações, reações, intervenções, tornando-se simultaneamente receptor e emissor de mensagens (modelo emirec de comunicação).”
“A interatividade assim entendida - de modo amplo - nos permite avançar pedagogicamente em relação ao modelo instrucionista do tipo broadcast- que apoia-se em pólos transmissores para a distribuição unilateral das mensagens à muitas pessoas em diferentes locais, simultaneamente.”
“Hoje, pode-se encontrar facilmente a interatividade do tipo Todos-Todos aplicada à algumas tecnologias síncronas (interação em tempo real) - por exemplo, nos chats, nas tele e videoconferências, nos jogos de RPG e nos Muds.”
“A interatividade e a interconectividade, possibilitadas e incrementadas pelas tecnologias digitais e pela cultura da simulação, típica das comunidades virtuais, vêm contribuindo sem dúvida para a instauração daquela "outra" lógica à qual já nos referimos, e que caracteriza tanto o fast thinking (pensamento ágil "multimídico") como o pensamento complexo (ou "conhecimento hipertextual").”
“O uso intensivo e articulado de diferentes modalidades de pensamento pode levar à formação de novas habilidades cognitivas como (1) rapidez no processamento de informações imagéticas; e (2) trânsito/disseminação mais ágil de idéias e informações com efetiva participação (inter)ativa do sujeito no processo de transmissão de dados ao mesmo tempo em que este faz uso de várias "janelas" cognitivas.”
“Atuar co-laborativamente vai além de tomar parte nos desgastados "trabalhos em grupo" - que tiveram ampla divulgação com a difusão, penetração e corruptela das idéias renovadoras da Escola Nova nas práticas educacionais nacionais.”
“A escola do trabalho [Escola Nova] é a escola em que a atividade é aproveitada como um instrumento ou meio de educação ... [o método escolanovista] baseou toda a educação na atividade criadora e pesquisadora do aluno, estimulada pelo interesse, que, permitindo desenvolver-se o trabalho com prazer, lhe dá o caráter educativo de que deve revestir-se na escola.”
“Pode–se afirmar, sem receio, que a atividade co-laborativa atua na zona de desenvolvimento proximal (ZDP) da comunidade de aprendizado em razão de os participantes do grupo - com suas singulares competências - auxiliarem-se uns aos outros na qualidade de membros mais experientes de diferentes círculos de conhecimento e variadas práticas culturais.”
“Tomando-se por base as idéias de Almenara e Espinosa referenciadas aqui, conclui-se facilmente que a atividade co-laborativa (trabalho colaborativo) pressupõe (1) a formação/promoção de grupos heterogêneos, evitando-se – sempre que for possível – agruparem-se os sujeitos reiteradamente com pessoas com as quais ele(a) já mantêm vínculos sociais; (2) a busca do alcance dos objetivos pessoais e do e-coletivo; (3) a interdependência não hierarquizada entre os membros do grupo como forma de incentivo à um genuíno aprendizado.”
“O trabalho colaborativo exige dos participantes habilidades comunicativas; técnicas interpessoais; relações simétricas e recíprocas; desejos de compartilhar a resolução da tarefa (responsabilidade individual no alcance do êxito do grupo).”







domingo, 21 de fevereiro de 2016

FICHAMENTO Lemos, André; Cunha, Paulo (orgs). Olhares sobre a Cibercultura. Sulina, Porto Alegre, 2003; pp. 11-23

‘’O termo está recheado de sentidos mas, podemos compreender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro- eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70”.
‘’A cibercultura é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais’’.
“A cibercultura representa a cultura contemporâneas sendo consequência direta da evolução da cultura técnica moderna”.
‘’A cibercultura nasce no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade que se caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista, da natureza e do outro’’.
“Neste sentido, se a modernidade pode ser caracterizada como uma forma de apropriação técnica do social, a cibercultura será marcada, não de modo irreversível, por diversas formas de apropriação social-midiática (micro-informática, internet e as atuais práticas sociais, como veremos adiante) da técnica”.
“A sociedade da informação é marcada pela ubiquidade e pela instantaneidade, saídas da conectividade generalizada. Entramos assim em uma sociedade WYSIWIG (o que vejo é o que tenho) onde a nova economia dos cliques passa a ser vital para os destinos da cibercultura: até onde devemos clicar, participar, opinar, e até quando devo contemplar, ouvir, e simplesmente absorver? O tempo real pode inibir a reflexão, o discurso bem construído e a argumentação. Por outro lado o clique generalizado permite a potência da ação imediata, o conhecimento simultâneo e complexo, a participação ativa nos diversos fóruns sociais”.
“Vivemos uma nova conjuntura espaço-temporal marcada pelas tecnologias digitais telemáticas onde o tempo real parece aniquilar, no sentido inverso à modernidade, o espaço de lugar, criando espaços de fluxos, redes planetárias pulsando no tempo real, em caminho para a desmaterialização dos espaço de lugar. Assim, na cibercultura podemos estar aqui e agir à distância. A forma técnica da cibercultura permite a ampliação das formas de ação e comunicação sobre o mundo”.
“O tudo em rede implica na rede em todos os lugares e em todos os equipamentos que a cada dia tornam-se máquinas de comunicar (Lemos, 2002b)”.

’A conexão generalizada traz uma nova configuração comunicacional onde o fator principal é a inédita liberação do pólo da emissão – chats, fóruns, e-mail, listas, blogs, páginas pessoais – o excesso, depois de séculos dominado pelo exercido controle sobre a emissão pelos mas media”.
“Para além dessa constatação devemos reconhecer que não há mídia totalmente democrática e universal”.
“Devemos assim lutar para garantir o acesso a todos, condição essa fundamental para que haja uma verdadeira apropriação social das novas tecnologias de comunicação e informação”.
 “A novidade do fenômeno nos traz o desafio de delimitarmos melhor os conceitos para podermos vislumbrar as diferenças e similitudes com fenômenos técnico-mediáticos anteriores”.
‘’As práticas comunicacionais da cibercultura são inúmeras e algumas verdadeiramente inéditas. Dentre elas podemos elencar a utilização do e-mail que revolucionou a prática de correspondências pessoais para lazer ou trabalho, os chats com suas diversas salas onde a conversação se dá sem oralidade ou presença física, os muds, jogos tipo role playing games onde usuários criam mundos e os compartilham com usuários espalhados pelo mundo em tempo real, as lans house, nova febre de jogos eletrônicos em redes domésticas, as listas de discussão livres e temáticas, os weblogs, novo fenômeno de apresentação do eu na vida quotidiana (Lemos, 2002c)’’.
“A internet é um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação e não uma mídia de massa, no sentido corrente do termo”.
“As práticas comunicacionais pessoais atuais da cibercultura mostram a pregnância social para além da assepsia ou simples robotização’’.
“A arte na cibercultura vai abusar da interatividade, das possibilidades hipertextuais, das colagens (sampling) de informações (bits), dos processos fractais e complexos, da não linearidade do discurso... A arte passa a reivindicar, mais do que antes, a ideia de rede, de conexão, transformando-se em uma arte da comunicação eletrônica. O objetivo é a navegação, a interatividade e a simulação para além da mera exposição/audição.”
“Podemos dizer que após a colonização externa do mundo pelas tecnologias industriais e informacionais é agora o corpo que se transforma em objeto de intervenção”.
“As questões políticas da era da informação estão afetando tanto incluídos como excluídos do mundo digital. Diversas formas de controle estão hoje em voga de forma a nos vigiar de maneira quase imperceptível, instaurando um verdadeiro panopticom eletrônico”.
“As cidades contemporâneas já estão sob o signo do digital e basta olharmos à nossa volta para constatarmos celulares, palms, televisão por cabo e satélite, internet de banda larga e wireless, cartões inteligentes, etc. Vivemos já na cibercidade, trazendo novas questões na intersecção entre o lugar e o fluxo. Aqui surgem questões como a cibercidadania, a ciberdemocracia, a exclusão e inclusão digital”.
“Devemos evitar a lógica da substituição ou do aniquilamento... trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes’’.
‘’A Liberação do pólo da emissão está presente nas novas formas de relacionamento social, de disponibilização da informação e na opinião e movimentação social da rede”.
“As diversas redes socio-técnica contemporâneas mostram que é possível estar só sem estar isolado. A conectividade generalizada põe em contato direto homens e homens, homens e máquinas mas também máquinas e máquinas que passam a trocar informação de forma autônoma e independente”.

“Devemos assim estar abertos às potencialidades das tecnologias da cibercultura e atentos às negatividades das mesmas. Devemos tentar compreender a vida como ela é e buscar compreender e nos apoderar dos meios sócio-técnicos da cibercultura. Isso garantirá a nossa sobrevivência cultural, estética, social e política para além de um mero controle maquínico do mundo”.

FICHAMENTO DO TEXTO: Sala de Aula Interativa. Marco Silva

O autor fala sobre as questões relacionadas à interatividade e suas imbricações na educação. Abre um diálogo a respeito das impressões, conceitos, preconceitos e aplicações da interatividade. Convida-nos a pensar que a interatividade aparece como um processo de reconfiguração das comunicações humanas. Onde a internet é apenas, mais uma possibilidade de interação e  comunicação. Reflete também sobre o papel do emissor e do receptor, que em tempos de interatividade, inclusive a mediada pela internet, perde a linearidade e a barreira que os limita.


Interatividade é um princípio do mundo digital e da cibercultura, isto é, do novo ambiente comunicacional baseado na internet, no site, no game, no software. A disposição interativa permite ao usuário ser ator e autor fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos. O usuário pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar. Em suma, a interatividade permite ultrapassar a condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo. 
Interatividade: co-criação da emissão e recepção. O termo apareceu na década de 1970 no contexto da crítica à mídia unidirecional e virou moda a partir de meados dos anos 80 com a chegada do computador com múltiplas janelas (windows) em rede. Janelas que não se limitam à transmissão. Elas permitem ao usuário adentramento labiríntico e manipulação de conteúdos. 
Hoje o termo interatividade se presta às utilizações mais desencontradas e estapafúrdias, abrangendo um campo semântico dos mais vastos, que compreende desde salas de cinema em que as cadeiras se movem até novelas de televisão em que os espectadores escolhem (por telefone) o final da história. Um terreno tão elástico corre o risco de abarcar tamanha gama de fenômenos a ponto de não poder exprimir coisa alguma. Sendo assim, é preciso atentar para o sentido depurado do termo e aí verificar a perspectiva de libertação da comunicação da lógica da transmissão. 
Para que haja interatividade é preciso garantir duas disposições basicamente: 1. A dialógica que associa emissão e recepção como pólos antagônicos e complementares na co-criação da comunicação; 2. A intervenção do usuário ou receptor no conteúdo da mensagem ou do programa abertos a manipulações e modificações. 
De fato, o computador se encontra diretamente associado ao termo exatamente porque na sua memória imagens, sons e textos são convertidos em bits de modo a sofrer qualquer tipo de manipulação e interferência, sem degradação ou perda da informação. Os objetos são virtuais, isto é, definidos matematicamente e processados por algoritmos. 
Mesmo tão associada ao computador e à internet, é preciso insistir: interatividade é um conceito de comunicação e não de informática. Antes do computador conversacional é possível encontrar a expressão mais depurada do termo na arte “participacionista” da década de 1960, definida também como “obra aberta . O que permite garantir que interatividade não é uma novidade da era digital. 
O “parangolé” do artista plástico carioca Hélio Oiticica (1937-1980) é um exemplo maravilhoso de explicitação dos fundamentos da interatividade. O parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na transmissão. A pedagogia do parangolé: O professor propõe o conhecimento. Não o transmite. Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou “bancária” (sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo Freire. Ele propõe o conhecimento aos estudantes, como o artista propõe sua obra potencial ao público. A participação do aluno se inscreve nos estados potenciais do conhecimento arquitetados pelo professor de modo que evoluam em torno do núcleo preconcebido com coerência e continuidade. O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se co-autor. 
Uma pedagogia baseada nessa disposição à co-autoria, à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente investido do poder. Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação requer humildade. Mas diga-se humildade e não fraqueza ou minimização da autoria, da vontade, da ousadia. P. Freire não desenvolveu uma teoria da comunicação que dê conta de sua crítica à transmissão. No entanto, deixou seu legado que garante ao conceito de interatividade a exigência da participação daquele que deixa o lugar da recepção para experimentar a cocriação. 

  O autor, também aborda sobre o hipertexto e todas as possibilidades que ele abre, com a democratização da informação para o indivíduo, permitindo que ele deixe de ser apenas consumidor, para ser participativo e criativo, também produzindo informação. 

O hipertexto é o novo paradigma tecnológico que liberta o usuário da lógica unívoca da mídia de massa. Ele democratiza a relação do usuário com a informação gerando um ambiente conversacional que não se limita à lógica da distribuição. Em suma, o hipertexto é essencialmente um sistema interativo materializado no chip permitindo complexidade na informação e na comunicação. Conhecer e experimentar essa nova dimensão da técnica resulta em habilidades necessárias para que o professor aproveite ao máximo o potencial do computador e da Internet em sala de aula.
Assim a interatividade e o hipertexto convidam o professor a considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na emissão do professor contador de história inspirando-se para isso no designer de software.
Então é preciso enfatizar: o essencial não é a tecnologia, mas um novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade comunicacional que supõe interatividade, isto é, participação, cooperação, bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre informações e atores envolvidos. Mais do que nunca o professor está desafia do a modificar sua comunicação em sala de aula e na educação. Isso significa modificar sua autoria enquanto docente e inventar um novo modelo de educação. Como diz Edgar Morin, “Hoje, é preciso inventar um novo modelo de educação, já que estamos numa época que favorece a oportunidade de disseminar um outro modo de pensamento”. A época é essa!: a era digital, a sociedade em rede, a sociedade de informação, a cibercultura.