‘’O
termo está recheado de sentidos mas, podemos compreender a cibercultura como a
forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a
cultura e as novas tecnologias de base micro- eletrônica que surgiram com a
convergência das telecomunicações com a informática na década de 70”.
‘’A
cibercultura é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais’’.
“A
cibercultura representa a cultura contemporâneas sendo consequência direta da
evolução da cultura técnica moderna”.
‘’A
cibercultura nasce no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade
que se caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista,
da natureza e do outro’’.
“Neste
sentido, se a modernidade pode ser caracterizada como uma forma de apropriação
técnica do social, a cibercultura será marcada, não de modo irreversível, por
diversas formas de apropriação social-midiática (micro-informática, internet e
as atuais práticas sociais, como veremos adiante) da técnica”.
“A
sociedade da informação é marcada pela ubiquidade e pela instantaneidade,
saídas da conectividade generalizada. Entramos assim em uma sociedade WYSIWIG
(o que vejo é o que tenho) onde a nova economia dos cliques passa a ser vital
para os destinos da cibercultura: até onde devemos clicar, participar, opinar,
e até quando devo contemplar, ouvir, e simplesmente absorver? O tempo real pode
inibir a reflexão, o discurso bem construído e a argumentação. Por outro lado o
clique generalizado permite a potência da ação imediata, o conhecimento
simultâneo e complexo, a participação ativa nos diversos fóruns sociais”.
“Vivemos
uma nova conjuntura espaço-temporal marcada pelas tecnologias digitais
telemáticas onde o tempo real parece aniquilar, no sentido inverso à
modernidade, o espaço de lugar, criando espaços de fluxos, redes planetárias
pulsando no tempo real, em caminho para a desmaterialização dos espaço de
lugar. Assim, na cibercultura podemos estar aqui e agir à distância. A forma
técnica da cibercultura permite a ampliação das formas de ação e comunicação
sobre o mundo”.
“O
tudo em rede implica na rede em todos os lugares e em todos os equipamentos que
a cada dia tornam-se máquinas de comunicar (Lemos, 2002b)”.
’A
conexão generalizada traz uma nova configuração comunicacional onde o fator
principal é a inédita liberação do pólo da emissão – chats, fóruns, e-mail,
listas, blogs, páginas pessoais – o excesso, depois de séculos dominado pelo
exercido controle sobre a emissão pelos mas media”.
“Para
além dessa constatação devemos reconhecer que não há mídia totalmente
democrática e universal”.
“Devemos
assim lutar para garantir o acesso a todos, condição essa fundamental para que
haja uma verdadeira apropriação social das novas tecnologias de comunicação e
informação”.
“A novidade do fenômeno nos traz o desafio de
delimitarmos melhor os conceitos para podermos vislumbrar as diferenças e
similitudes com fenômenos técnico-mediáticos anteriores”.
‘’As práticas comunicacionais da cibercultura
são inúmeras e algumas verdadeiramente inéditas. Dentre elas podemos elencar a
utilização do e-mail que revolucionou a prática de correspondências pessoais
para lazer ou trabalho, os chats com suas diversas salas onde a conversação se
dá sem oralidade ou presença física, os muds,
jogos tipo role playing games
onde usuários criam mundos e os compartilham com usuários espalhados pelo mundo
em tempo real, as lans house, nova
febre de jogos eletrônicos em redes domésticas, as listas de discussão livres e
temáticas, os weblogs, novo fenômeno
de apresentação do eu na vida quotidiana (Lemos, 2002c)’’.
“A internet é um ambiente, uma incubadora de
instrumentos de comunicação e não uma mídia de massa, no sentido corrente do
termo”.
“As práticas comunicacionais pessoais atuais
da cibercultura mostram a pregnância social para além da assepsia ou simples
robotização’’.
“A arte na cibercultura vai abusar da
interatividade, das possibilidades hipertextuais, das colagens (sampling) de
informações (bits), dos processos fractais e complexos, da não linearidade do
discurso... A arte passa a reivindicar, mais do que antes, a ideia de rede, de
conexão, transformando-se em uma arte da comunicação eletrônica. O objetivo é a
navegação, a interatividade e a simulação para além da mera exposição/audição.”
“Podemos dizer que após a colonização externa
do mundo pelas tecnologias industriais e informacionais é agora o corpo que se
transforma em objeto de intervenção”.
“As questões políticas da era da informação
estão afetando tanto incluídos como excluídos do mundo digital. Diversas formas
de controle estão hoje em voga de forma a nos vigiar de maneira quase
imperceptível, instaurando um verdadeiro panopticom eletrônico”.
“As cidades contemporâneas já estão sob o
signo do digital e basta olharmos à nossa volta para constatarmos celulares,
palms, televisão por cabo e satélite, internet de banda larga e wireless,
cartões inteligentes, etc. Vivemos já na cibercidade, trazendo novas questões
na intersecção entre o lugar e o fluxo. Aqui surgem questões como a
cibercidadania, a ciberdemocracia, a exclusão e inclusão digital”.
“Devemos evitar a lógica da substituição ou do
aniquilamento... trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas,
espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes’’.
‘’A Liberação do pólo da emissão está
presente nas novas formas de relacionamento social, de disponibilização da
informação e na opinião e movimentação social da rede”.
“As
diversas redes socio-técnica contemporâneas mostram que é possível estar só sem
estar isolado. A conectividade generalizada põe em contato direto homens e
homens, homens e máquinas mas também máquinas e máquinas que passam a trocar
informação de forma autônoma e independente”.
“Devemos
assim estar abertos às potencialidades das tecnologias da cibercultura e
atentos às negatividades das mesmas. Devemos tentar compreender a vida como ela
é e buscar compreender e nos apoderar dos meios sócio-técnicos da cibercultura.
Isso garantirá a nossa sobrevivência cultural, estética, social e política para
além de um mero controle maquínico do mundo”.
Seu blogger ficou muito interessante parabéns.
ResponderExcluirSeu blogger ta de parabéns.
ResponderExcluirLegal rose. Depois de você ter observado alguns critérios sobre a relação das pessoas com a tecnologia, é hora de partir para um conceito maior. A cibercultura é entendida como um conjunto de espaços, atitudes, rituais e costumes que as pessoas desenvolvem quando entram em contato com a tecnologia. Assim, é possível entender como algumas pessoas lidam com a situação.
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